A Técnica
João Noutel pertence a uma geração de vanguarda de artistas, presente em quase todos os lugares no nosso planeta globalizado, que têm vindo a desenvolver as suas próprias técnicas, numa abordagem distinta e original, que facilita ao observador identificar e distinguir o seu trabalho entre centenas, mesmo milhares de outros, por exemplo, nas feiras de arte.
Se eu fosse obcecado com a nomenclatura e a categoriza√ß√£o dos artistas, eu iria estar a quebrar a cabe√ßa para o termo certo a aplicar ao seu trabalho: p√≥s-pintura, p√≥s- escultura, p√≥s-desenho, pintura-escultura assistida por computador revestido com acabamentos brilhantes, arte visual-t√°ctil, p√≥s-moderno p√≥s-media misturada... a fim de evitar inclu√≠-lo nessa frase que pega em tudo ‚Äď ‚ÄúNovas Tecnologias‚ÄĚ (mais com ‚Äútudo inclu√≠do‚ÄĚ e alusivas o tempo todo), que, naturalmente, s√£o menos "Novas" a cada dia que passa. Claro, podemos sempre recorrer na m√©dia mista confi√°vel, mas se eu decidi escrever sobre Noutel √© porque quero tentar e ir al√©m de termos banais deste g√©nero.
Chega de pre√Ęmbulos, vamos diretos ao ponto: o que exatamente faz Jo√£o Noutel, tecnicamente falando? Numa entrevista que lhe fiz recentemente, o pr√≥prio artista qualificou a sua t√©cnica como ‚Äúnada complicada‚ÄĚ1 mesmo que a sua apar√™ncia nos leve a pensar o contr√°rio. Estas s√£o as etapas b√°sicas:
1. Desenha ou pinta o motivo decidido em papel ou lona com diversos materiais: acrílico, óleo, guache, têmpera, carvão...
2. Fotografa a imagem resultante.?3. Manipula a imagem (analógica) no computador até atingir o resultado desejado (digital).
4. Com essa imagem final imprime um ou v√°rios plotters (geralmente em grande formato) em papel fotogr√°fico especial.
5. Cola este plotter ou plotters em pain√©is de MDF. A superf√≠cie da pe√ßa adquire textura. O artista chama esta fase ‚Äúprocesso de colagem‚ÄĚ.
6. Ele cobre toda a superfície da peça com um verniz brilhante, conferindo-lhe durabilidade e protecção, dando-lhe a aparência (até tecnológica) final e tipicamente industrial.

Conceito
E √© isso tudo. Mas √© claro, com o trabalho do Noutel (aquele que o p√ļblico associa a neo-Pop) o todo √© maior do que a simples soma de suas partes. E em cada parte do processo, ele demonstra um exigente e rigoroso dom√≠nio t√©cnico. Enquanto navegava na Internet, encontrei uma cita√ß√£o do meu agrado que √© relevante para a nossa discuss√£o: ‚ÄúO termo arte deriva do Latim ‚Äúars‚ÄĚ, que significa habilidade, e faz alus√£o √† realiza√ß√£o de a√ß√Ķes que exigem experi√™ncia humana que expressa e leva em conta os valores culturais e ideol√≥gicos de seu contexto.‚ÄĚ2 Isso leva-nos a outro factor que deve ser considerado sobre o trabalho de todos os artistas: o seu conceito. Falando em termos estritamente est√©ticos, o trabalho de Jo√£o Noutel √© bonito e delicado na apar√™ncia; mas se ele tamb√©m √© capaz de atrair e cativar a aten√ß√£o do espectador √© porque, al√©m de ser uma obra de arte atraente, tamb√©m possui uma ess√™ncia que comunica in√ļmeras ideias e sentimentos de maneiras diversas (na sua forma e conte√ļdo).
Muitas vezes falamos de tendências artísticas como Neo (tal como acontece com neo-Pop), um recurso e maneira simples de entender o outro, escusado será dizer que não vou perder o meu tempo a procurar um termo original que possa definir adequadamente o trabalho do Noutel.
De qualquer forma, estas tendências, que podemos designar tão arrogantemente com a colocação do prefixo Neo para o nome de um movimento anterior, não são de maneira alguma uma cópia do passado, e ainda menos um retorno a ele.
Acho que qualquer conexão entre o tão chamado neo-Pop e o trabalho do Noutel é mais uma simples coincidência.
A história é cíclica e há sempre uma parte do seu tecido complexo que pode coincidir de alguma forma com algum episódio do passado.
Mas Noutel estaria a fazer o que faz, mesmo que o Pop n√£o tivesse surgido na d√©cada de 50, embora seja verdade que possa ser √ļtil referirmo-nos a ele a fim de ilustrar algum aspecto de seu trabalho, na perspectiva de que a Pop Art foi exaustivamente estudada e analisada por cr√≠ticos e historiadores de arte. Mas apenas por esta raz√£o.
Pop Art foi distinguido, sobretudo, por ser baseada no que o seu nome indica: a cultura popular de massas.3Da√≠ a sua propaga√ß√£o r√°pida e popularidade. Foi uma rea√ß√£o ao elitismo e √† arrog√Ęncia das belas-artes, exposto e praticado por uma minoria intelectual, at√© ent√£o dominante. Precisamos recordar o ambiente da √©poca, o terreno f√©rtil em que esse movimento brotou e cresceu: nos anos do p√≥s-guerra, ap√≥s a Segunda Guerra Mundial, uma nova revolu√ß√£o industrial e de comunica√ß√£o e social em plena flora√ß√£o. Mas nem os tempos nem os artistas s√£o agora os mesmos. Como Ortega Y Gasset disse, "Eu sou eu e as minhas circunst√Ęncias"4, e as circunst√Ęncias em que vive Jo√£o Noutel, sente, pensa e explora, n√£o √© essa do Reino Unido em meados dos anos 50, nem a dos EUA no final da d√©cada.
O artista est√° interessado, acima de tudo, na fragilidade da condi√ß√£o humana e tudo que isso implica na situa√ß√£o contempor√Ęnea dos dias de hoje. As pessoas sentem-se frequentemente reduzidas, deslocadas e alienadas dos atributos da sua defini√ß√£o e identidade por uma globaliza√ß√£o agressiva e invasiva. E esta agress√£o manifesta-se sobretudo pela invasiva ac√ß√£o dos media. Os jovens de hoje, por exemplo, e sem a necessidade de consultar os chamados meios de comunica√ß√£o, n√£o pensam nas coisas, olham sim para estas atrav√©s dos seus telem√≥veis com o objectivo prim√°rio de compartilh√°-las com os seus amigos. Eles podem at√© mesmo inconscientemente competir entre si para ver quem pode "ver"mais coisas. Isto √© algo que deve estar a ser estudado por soci√≥logos, pediatras e outros especialistas relevantes, porque um dos efeitos mais graves √© que a nossa sociedade est√° a perder a no√ß√£o da mem√≥ria hist√≥rica: no passado, a maioria das pessoas tiraram fotos, esperaram com impaci√™ncia para verem os resultados e ent√£o cuidadosamente a salv√°-los em √°lbuns de fotos... Agora, por√©m, as imagens perdem o seu valor e a aura porque o nosso entusiasmo desaparece ao mesmo ritmo, enquanto as imagens passam diante dos nossos olhos. H√° sempre muitas mais √† espera para serem vistas fugazmente, n√£o como um momento de descanso mas para realmente as levarmos, mentalmente ou emocionalmente. √Äs vezesdecidimos salvar algo na "mem√≥ria" de um dos nossos dispositivos tecnol√≥gicos (e ent√£o rapidamente esquecemos qual o arquivo que l√° coloc√°mos), mas na maioria das vezes eles perdem-se no ciberespa√ßo e nunca os voltamos a ver novamente...O ef√©mero √© mais ef√©mero a todo o tempo.
Mas... Ainda podemos contar com o Ex√©rcito da Salva√ß√£o dos Artistas, e Jo√£o Noutel √© membro desse Conselho de Administra√ß√£o. O leitmotiv5 da sua paix√£o criativa √© o poder graficamente expressado da arte hist√≥rica, juntamente com a iconografia exuberante do nosso mundo contempor√Ęneo: o valor de certas imagens e a sem√Ęntica universal que elas cont√™m. Noutel presta homenagem √†s imagens e aos seus significados, que ele habilmente analisa, desconstr√≥i e reconstr√≥i, tornando-as √ļnicas r√©plicas, ainda mais poderosas do que as originais. Na entrevista acima mencionada de apenas quatro meses atr√°s, Noutel aludiu directamente ao conceito do seu trabalho, que conscientemente (e, sem d√ļvida, inconscientemente tamb√©m) constitui o seu zeitgeist6 privado e pessoal: "Uma desconstru√ß√£o metaf√≥rica do significado que se espera √† priori de uma imagem... Exploro ideias simples, frequentemente empregando ironia para express√°-las de forma mais ou menos √≠ntima... V√°rias contradi√ß√Ķes da realidade contempor√Ęnea, no√ß√Ķes como fama, medo, sucesso, paix√£o, amor, sensualidade...‚ÄĚ7

Contexto
No contexto acima descrito de aliena√ß√£o e banaliza√ß√£o da iconografia contempor√Ęnea, precisamente por causa do seu excesso desenfreado e crescimento an√°rquico semelhante √† de cancro, Jo√£o Noutel admite: ‚ÄúO meu trabalho √© um exerc√≠cio de liberdade, criando imagens novas e exclusivas de uma selec√ß√£o do mais comum e ef√©mero, e isso d√°-me um grande prazer. Ainda mais longe: √© uma necessidade intr√≠nseca.‚ÄĚ E gostaria de acrescentar que √© ainda mais do que isso, porque o artista frequentemente inclui frases no seu trabalho, portanto, refor√ßa as imagens com palavras e une os dois com uma alian√ßa f√©rtil, enfatizando a desconstru√ß√£o de situa√ß√Ķes t√≠picas e clich√™s do nosso tempo presente √†s quais ele se compromete.
Como em Pop Art, Noutel emprega e recicla imagens da cultura popular, extra√≠dos de diversos meios de comunica√ß√£o: propagandas, bandas desenhadas, itens de consumo di√°rio e do mundo do cinema. Ele usa essas imagens populares descontextualizando-as e isolando-as, ou combinando-as com os outras, destacando o aspecto banal ou kitsch de algum elemento cultural contempor√Ęneo, muitas vezes atrav√©s do uso de ironia. Outra caracter√≠stica significativa que ele compartilha com o movimento revolucion√°rio do p√≥s-guerra √© o uso do desenho Hard-Edge (contornos precisos, fortes), n√£o apenas como um elemento formal, mas a servi√ßo do seu objetivo de enfatizar a abordagem impessoal, ele pratica na representa√ß√£o dos arqu√©tipos do avan√ßo da globaliza√ß√£o. Ele emprega um reducionista e um praticante esquem√°tico que retrata as caracter√≠sticas das massas sem representar algu√©m em especial. Pop Art fez o mesmo como par√≥dia em reac√ß√£o contra o simbolismo pessoal e subjetivo do movimento anterior, o Expressionismo Abstrato; Mas Noutel √© uma resposta ir√≥nica √† aliena√ß√£o contempor√Ęnea e despersonaliza√ß√£o. Pop Art e o Minimalismo s√£o considerados os √ļltimos movimentos da arte moderna, os precursores da p√≥s-modernidade, embora alguns cr√≠ticos os vejam como primeiras manifesta√ß√Ķes do p√≥s-modernismo. Ent√£o Jo√£o Noutel √© "post" e "neo" de uma s√≥ vez, juntamente com v√°rias outras coisas tamb√©m.
O artista declarou em v√°rias ocasi√Ķes que, embora n√£o se considere "um pintor no sentido estrito e convencional do termo‚ÄĚ, pintura e desenho s√£o a base do seu trabalho. Como todos sabemos, a pintura tem muitos detractores: aqueles que a consideram tamb√©m tradicional, antiquada, seca, limitada por sua natureza bidimensional secular, at√© mesmo excessivamente burguesa...Curiosamente, a escultura (que tem menos detractores) √© mais antiga, decorrentes no Paleol√≠tico inferior, considerado como terminado uns 127.000 anos antes da Era comum, enquanto a pintura s√≥ aparece depois de dois per√≠odos, no Paleol√≠tico Superior (35,000-12,000 aC) com as imagens de cavalos nas cavernas Pech Merle (Dordogne, Fran√ßa, ca. 18.000 dC). Embora o desaparecimento da pintura tenha sido primeiramente declarada por Paul Delaroche em 1839, a atitude homicida em direc√ß√£o ao meio, mais ou menos sistem√°tico e persistente para este dia, ocorreu com a morte (real) de Pollock em 1956, mais ou menos sistem√°tica e persistente at√© hoje, ocorreu com a morte (real) de Pollock em 1956, quando muitos artistas jovens se atiraram apaixonadamente nos bra√ßos de objetos-orientados e da arte tridimensional. No entanto, penso que esses instintos homicidas foram mais dirigidos a "pinturas" estritamente consideradas (um bidimensional, lona, papel ou suporte de madeira normalmente delimitados por uma moldura) do que o meio pict√≥rico como tal, que n√£o est√° limitado a apenas "pintura", embora no uso popular, os dois termos s√£o mais frequentemente empregados indistintamente, bem como equivocadamente. Porque, como bem sabemos, desde os tempos pr√©-hist√≥ricos a pintura tem sido aplicada a uma grande variedade de superf√≠cies. O termo "pintura expandida", actualmente na moda, parece-me ser uma t√°ctica de autodefesa de sobreviv√™ncia em resposta a esta ofensiva contra a pintura tradicional. Como Miquel Barcel√≥ disse: "Esta √© a minha atitude, eu transformo tudo em pintura. Todo o elemento com que eu opero √©, fundamentalmente, o mesmo: pintura. Est√° l√° nos meus di√°rios de viagem, nos enormes blocos de lama na Catedral de Mallorca ou numa grande tela.‚ÄĚ8
Na Gr√©cia antiga as artes foram divididas em superiores e inferiores, as primeiras seriam aquelas que podem ser percebidas por meios pelos quais foram considerados os sentidos superiores (vis√£o e audi√ß√£o), ou seja, aqueles com que n√£o h√° um contacto f√≠sico (contamina√ß√£o) com o objecto observado que estava envolvido. Eram seis Belas Artes: arquitectura, escultura, pintura, m√ļsica (que incluiu teatro), declama√ß√£o (que inclui literatura) e dan√ßa. √Č por isso que o cinema veio a ser conhecido como a s√©tima arte. Muita √°gua fluiu sob a ponte, desde ent√£o, e criar um mapa das diferentes disciplinas do mundo de hoje, seria imposs√≠vel. Dever√° existir alguma raz√£o para que o termo "media mista" seja t√£o popular. Hoje, a fronteira entre essas disciplinas √© muitas vezes violado por artistas pr√°xis; o artista genu√≠no √© um explorador e faz o que ele ou ela deseja, auxiliado por recursos f√≠sicos (e tecnol√≥gicos) indispon√≠veis no passado. De facto vivemos a chamada Era da Informa√ß√£o, dando origem a um excesso de informa√ß√£o em tempo real e que abrange praticamente todo o planeta, que n√£o √© relevante para este fen√≥meno, e promove por sua vez, uma hibridiza√ß√£o global e fertiliza√ß√£o cruzada que s√≥ acrescenta mais combust√≠vel para o fogo criativo de artistas...
N√≥s n√£o precisamos de encontrar um nome espec√≠fico para o que Jo√£o Noutel faz. ‚ÄúR√≥tulos‚ÄĚ ajudam-nos a comunicar mais rapidamente e facilitam o trabalho dos cr√≠ticos, mas tamb√©m frequentemente contraem e distorcem o esp√≠rito criativo dos artistas, que √© inerentemente rebelde e eternamente ir√° romper limites e limita√ß√Ķes.

Salamir (Ast√ļrias, Espanha), de Agosto de 2013.

1 Tr√™s artistas: tr√™s maneiras de ver e praticar artes visuais art.es, n ¬ļ 55, p. 94-103, Madrid, maio de 2013.
2 http://es.answers.yahoo.com/question/index?qid=20081030180659AAliN5l
3 O termo Pop Art foi inventado pelo crítico inglês Lawrence Alloway, que usou a expressão "cultura em massa popular" num ensaio de Artes e os meios de Comunicação Social (1958).
4 Ortega y Gasset, José, Obras Completas, Vol. I. Ed. Taurus/Fundação José Ortega y Gasset, Madrid, 2004, p. 757.
5 Leitmotiv: no alem√£o leiten, 'guia' e motif ,'motivo', um termo
inventado por Richard Wagner, é recorrente de um tema musical numa composição e, por extensão,crucial tema recorrente de uma obra de arte literária, cinematográfica ou visual emgeral.
√Č a inspira√ß√£o constante de uma pe√ßa.
6 Em alemão, "o espírito dos tempos".
7 Tr√™s artistas: tr√™s maneiras de ver e praticar artes visuais art.es, n ¬ļ 55, p. 94-103, Madrid, maio de 2013.
8 Andreu Manresa, imagens de tempos antigos, El Pais (Madrid), 8 de setembro de 2012.

Technique
Jo√£o Noutel belongs to a cutting-edge generation of artists, present almost everywhere on our globalized planet, that have been developing their own techniques, a distinct, original approach that makes their work easy to identify and distinguish among hundreds, even thousands of others present, for instance, at art fairs. If I were obsessed with nomenclature and the categorizing of artists, I‚Äôd be racking my brains for the right term to apply to his work: post-painting, post-sculpture, post-drawing, computer-assisted painting-sculpture coated with glossy finishes, visual-tactile art, post-modern post-mixed media‚Ķso as to avoid including it in that catch-all phrase New Technologies (more all-inclusive and allusive all the time), which, naturally, are less ‚Äúnew‚ÄĚ with each passing day. Of course, we can always fall back on the dependable ‚Äúmixed media‚ÄĚ, but if I decided to write about Noutel it‚Äôs because I want to try and get beyond hackneyed terms like that.
Enough of preambles; let‚Äôs get directly to the point: what exactly does Jo√£o Noutel do, technically speaking? In an interview I did with him recently, the artist himself qualified his technique as ‚Äúnothing complicated,‚ÄĚ1 even if its appearance leads us to think otherwise. These are the basic steps:
1. He draws or paints the motif decided upon on paper or canvas with various materials: acrylic, oil, gouache, tempera, charcoal…
2. He photographs the resulting image.
3. He manipulates this (analogical) image in the computer until he achieves the desired (digital) result. Here he applies a reductionist and schematizing process to get that Pop look so characteristic of his work.
4. With that final image he prints one or various plotters (usually in large format) on photographic paper.
5. He glues this plotter or plotters onto MDF panels. The surface of the piece acquires texture. The artist calls this phase of the process collage.
6. He covers the entire surface of the piece with a glossy varnish, which makes it durable and gives it its final and typically industrial (even technological) appearance.

Concept
And that‚Äôs it. But of course, with Noutel‚Äôs work (which the public associates with neo-Pop) the whole is greater than the simple sum of its parts. And in every part of the process he demonstrates a demanding and exacting technical mastery. While surfing the Internet I found a quote to my liking that‚Äôs relevant to our discussion: ‚ÄúThe term Art derives from the Latin ars, which means skill, and alludes to the realization of actions that require human expertise that expresses and takes into account the cultural and ideological values of its context.‚ÄĚ2 This leads us to another factor that must be considered regarding the work of all artists: its concept. Speaking in strictly aesthetic terms, Jo√£o Noutel‚Äôs work is beautiful and delicate in appearance; but if it‚Äôs also capable of attracting the viewer‚Äôs attention and holding his thoughtful and attentive gaze it‚Äôs because, apart from being an attractive work of art, it possesses as well an essence that communicates numerous ideas and feelings in diverse ways (in both its form and content).
We often speak of artistic trends as neo (as with neo-Pop), a simple recourse and way of understanding one another (it goes without saying that I’m not going to waste my time looking for an original term that could adequately define Noutel’s work). At any rate, these trends, which we so cavalierly designate by affixing the prefix neo onto the name of a previous movement, are by no means mere copies of the past, and even lass a return to it. I think any connection between so-called neo-Pop and Noutel’s work is more of a simple coincidence. History is cyclical and there’s always some part of its complex fabric that may coincide somewhat with some episode from the past. But Noutel would be doing what he does even if Pop hadn’t emerged in the 50s, though it’s true that referring to it in order to illustrate some aspect of his work can be useful, since Pop Art has been exhaustively studied and analyzed by both critics and art historians. But only for that reason.
Pop Art was distinguished, above all, for being based on what its name indicates: the popular culture of the masses.3 Hence its swift spread and popularity. It was a reaction to the elitism and arrogance of the Fine Arts, expounded and practiced by an intellectual minority, until then dominant. We need to recall the ambience, the breeding ground in which it sprouted and grew: the postwar years following World War ll, which saw a new industrial and mass communications revolution in full bloom. But neither the times nor the artists are now the same. As Ortega y Gasset said, ‚ÄúI am both me and my circumstances,‚ÄĚ4 and the circumstances in which Jo√£o Noutel lives, feels, thinks and explores isn‚Äôt that of the UK in the mid-50s nor the US at the end of that decade.
The artist is interested, above all, in the fragility of the human condition and everything that this entails in today‚Äôs contemporary situation. People frequently feel reduced, displaced and alienated from the defining attributes of their identity by an aggressive and invasive globalization. And this aggression is manifested above all by the plethora of media invading us. Today‚Äôs young people, for instance, and with no need to refer to the so-called mass media, don‚Äôt think about things, they look at them through their mobile phones with the primary aim of sharing them with their friends. They may even be unconsciously competing among themselves to see who can ‚Äúsee‚ÄĚ more things. This is something that sociologists, pediatricians and other relevant specialists should be studying, because one of its most serious effects is that our society is losing the notion of historical memory: in the past, most people took pictures, waited with impatience for the results and then carefully saved them in photo albums‚Ķ Now, though, images have lost their value and aura because our enthusiasm disappears at the same rate as the images pass before our eyes. There are always many more waiting to be viewed fleetingly, with not a moment‚Äôs pause to really take them in, either mentally or emotionally. Sometimes we decide to save one in the ‚Äúmemory‚ÄĚ of one of our technological devices (and then promptly forget which file we put it in), but most of the time they become lost in cyberspace and we never see them again‚Ķ The ephemeral is more ephemeral all the time.
But‚Ķwe can still count on the Salvation Army of Artists‚Ķ and Jo√£o Noutel is a member of its Board of Directors. The leitmotif 5 of his creative passion is the graphically expressed power of historic art coupled with the exuberant iconography of our contemporary world: the value of certain images and the universal semantics they contain. Noutel pays tribute to images and their meanings, which he deftly analyzes, deconstructs and reconstructs, making them unique replicas, even more powerful than the originals. In the above mentioned interview from just four months ago, Noutel alluded directly to the concept of his work, which consciously (and undoubtedly unconsciously as well) constitutes his private and personal zeitgeist:6 ‚ÄúA metaphorical deconstruction of the meaning which one expects a priori from an image‚Ķ I explore simple ideas, often employing irony to express them in a more or less intimate manner‚Ķvarious contradictions of contemporary reality, notions such as fame, fear, success, passion, love, sensuality‚Ķ‚ÄĚ7

Context
In the above described context of alienation and trivialization of contemporary iconography, precisely because of its unrestrained excess and anarchic growth akin to that of cancer, Jo√£o Noutel admits: ‚ÄúMy work is an exercise in freedom, creating new and unique images from a selection of ordinary and ephemeral ones, and it gives me great pleasure. Even further: it‚Äôs an inherent necessity for me.‚ÄĚ And I‚Äôd add that it‚Äôs still more than that, because the artist frequently includes phrases in his work, hence reinforcing images with words and uniting both in a fertile alliance, emphasizing the deconstruction of typical situations and the clich√©s of our present time that he undertakes.
As in Pop Art, Noutel employs and recycles images from popular culture taken from various media: advertizing, comic books, everyday consumer items and the movie world. He uses these popular images by decontextualizing and isolating them, or by combining them with others, highlighting the banal or kitschy aspect of some contemporary cultural element, often through the use of irony. Another significant feature he shares with that revolutionary postwar movement is the use of hard-edge drawing (strong, precise outlines), and not only as a formal element, but in service to his aim of emphasizing the impersonal approach he practices in representing the archetypes of advancing globalization. He employs a reductionist and schematic hieraticism that portrays the features of the masses without depicting anyone in particular. Pop Art did the same as a parody in reaction against the personal and subjective symbolism of the preceding movement, Abstract Expressionism; but Noutel‚Äôs is an ironic response to contemporary alienation and depersonalization. Pop Art and Minimalism are considered modern art‚Äôs last movements, the precursors to Postmodernism, although some critics see them as Postmodernism‚Äôs earliest manifestations. So Jo√£o Noutel is both ‚Äúpost‚ÄĚ and ‚Äúneo‚ÄĚ at once, along with various other things as well.
The artist has declared on various occasions that, although he doesn‚Äôt consider himself ‚Äúa painter in the strict and conventional sense of the term,‚ÄĚ painting and drawing are the basis of his work. As we all know, painting has many detractors: those who consider it to be too traditional, antiquated, dried-up, limited by its secular two-dimensional nature, even excessively bourgeois‚Ķ Curiously, sculpture (which has less detractors) is much older, arising in the Lower Paleolithic, considered to have ended some 127,000 years before the Common Era, while painting appeared only after two further periods, in the Upper Paleolithic (35,000-12000 BC) with the images of horses in the Pech Merle caves (Dordogne, France, ca. 18,000 AC). Although painting‚Äôs demise was first declared by Paul Delaroche in 1839, the homicidal attitude toward the medium, more or less systematic and persisting to this day, occurred with the (actual) death of Pollock in 1956, when many young artists threw themselves passionately into the arms of object-oriented and three dimensional art. However, I think that these homicidal instincts were more directed at ‚Äúpaintings‚ÄĚ strictly considered (a two-dimensional canvas, paper or wood support usually delimited by a frame) than at the pictorial medium as such, which is not limited to just ‚Äúpainting,‚ÄĚ though in popular usage the two terms are most often employed indistinctly as well as erroneously. Because, as we well know, since pre-historical times paint has been applied to a huge variety of surfaces. The currently fashionable term ‚Äúexpanded painting‚ÄĚ seems to me to be a self-defense survival tactic in response to this offensive against traditional painting. As Miquel Barcel√≥ said, ‚ÄúThat‚Äôs my attitude, I transform everything into painting. All the elements I operate with are, fundamentally, the same: painting. It‚Äôs there in my travel journals, in the enormous blocks of mud in Mallorca's cathedral or in a large canvas."8
In ancient Greece the arts were divided into major and minor, the former being those that could be perceived by way of what were considered the superior senses (seeing and hearing), that is, those in which no physical contact (contamination) with the observed object was involved. There were six Fine Arts: architecture, sculpture, painting, music (which included theater), declamation (which included literature) and dance. That‚Äôs why movies came to be known as the Seventh Art. A lot of water has flowed under the bridge since then, and in today‚Äôs world creating a map of the different artistic disciplines would be all but impossible. There must be some reason why the term ‚Äúmixed media‚ÄĚ is so popular. Today, the frontier between these disciplines is often breached by artists‚Äô praxis; the genuine artist is an explorer and does what he or she wishes, aided by physical (and technological) resources unavailable in the past. The fact that we live in the so-called Information Age, giving rise to an excess of information in practically real time and spanning the entire planet, is not irrelevant to this phenomenon, and fosters in turn a global hybridization and cross-fertilization that only adds more fuel to the creative fire of artists‚Ķ
We don’t need to find a specific name for what João Noutel does. Labels help us to communicate more rapidly and make the job of critics easier, but they also frequently constrict and distort artists’ creative spirit, which is inherently rebellious and forever breaking through bounds and limitations.

Salamir (Asturias, Spain), August, 2013.

1 Three artists: three ways of seeing and practicing visual arts, art.es, n¬ļ 55, p. 94-103, Madrid, May 2013.
2 http://es.answers.yahoo.com/question/index?qid=20081030180659AAliN5l
3 The term Pop Art was coined by the British critic Lawrence Alloway, who used the expression ‚Äúpopular mass culture‚ÄĚ in his essay The Arts and the Mass Media (1958).
4 Ortega y Gasset, José, Obras Completas, Vol. I. Ed. Taurus/Fundación José Ortega y Gasset, Madrid, 2004, p. 757.
5 Leitmotif: from the German leiten, ‚Äėguide‚Äô, and motif, ‚Äėmotive‚Äô, a term coined by Richard Wagner, is a recurrent musical theme in a composition, and by extensi√≥n, crucial recurrent theme of a literary, cinematic or visual work of art in general. It‚Äôs the inspirational constant of a piece.
6 In German, ‚Äúthe spirit of the times‚ÄĚ.
7 Three artists: three ways of seeing and practicing visual arts, art.es, n¬ļ 55, p. 94-103, Madrid, May 2013.
8 Andreu Manresa, Imágenes de tiempos remotos, El País (Madrid), September 8, 2012.